Mudinhas de alface – lettuce seedlings

Todas as garrafas nos foram dadas. É triste que seja tão fácil: você pede garrafas num dia, no outro todas as crianças trazem uma. Algumas não tinham uma forma adequada, eu simplesmente atravessei a rua e não precisei andar mais de 30 segundos para encontrar as que faltavam.

Bom, há um mês atrás os meninos semearam alface, ontem foi o dia de transplantar as mudinhas. Esse tipo plantador – considerando que a praga da garrafa pet não vai desaparecer se a gente deixar de usar pra fazer plantadores – é bom para introduzir as crianças ao cuidado de um ser vivo porque perdoa pequenas faltas. Se a criança esquece de regar um dia, a planta sobrevive. Se rega demais, a água em excesso é drenada, pelo menos até certo ponto.

Descobri que para muitas delas o rótulo é um bom guia de corte, a parte acima dele é o copo para a terra, o que fica abaixo é um bom reservatório. Não esqueça de afrouxar a tampa para que a água possa nivelar.

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All those plastic bottles were given to us. It’s sad how easy it is: you ask for them one day, the next day every child brings one. Some didn’t have a suitable shape, so in 30 seconds walking out of my door I could find as many more as needed.

Anyway, about a month ago the kids (that go to school with my boy) seeded lettuce. Yesterday we transplanted the seedlings to these planters. I saw them online, and think – given that plastic bottles are not going away if we don’t reuse them like this – it’s a good way to introduce children to daily care of a living being, because it forgives slips. If they forget to water it once or twice, the plant will live. If they over-water it,  the excess will be drained, at least to a certain extent.

The label is a good guide to cut for many of these bottles, the part above it turns into a cup for soil, the one below is for excess water. Just don’t forget to loosen the cap a bit, so the water can pass and level.

Pão de frigideira – skillet bread

Depois do post do ikra, cabe uma receita rápida y fácil, né?

Pão de frigideira é um clássico, mas só recentemente comecei a entender seus potenciais:

  1. prático: feriado? a padoca tá fechada? vc não gosta da que é perto e tá com preguiça de ir na que é longe? dinheiro tudo sumiu, neném? tua cara, exposta ao público, trará ainda mais inquietação e desgosto aos nossos combalidos concidadãos? pão de frigideira pode ser a resposta (a menos que a coisa esteja tão grave que não tenha um ovo na tua geladeira);
  2. culinário mesmo. A receita é uma baliza geral que admite um monte de variações = diversão. Imagina uma massinha que tem que avacalhar muito pra dar errado, o tanto de coisa que dá pra jogar lá dentro. Como diz um post viralizado por aí, se reclamar das uvas passas eu ponho casca de jaca e folha de samambaia;
  3. nutricional, na comparação com o famigerado pãozinho, pão francês, pão de sal, essa tara alimentar tão fundamente brasileira que ninguém nem se lembra de reconhecer.

À receita: um ovo, duas colheres de sopa de leite ou iogurte ou leite vegetal ou água mesmo, 4 colheres de sopa de aveia fina (mas se não tem, dobra a farinha), 4 colheres de qualquer farinha, pitadinha de sal, colher de café de fermento químico, e os extras que se quiser, por exemplo, semente de linhaça, de girassol, farinha de linhaça dourada (eu não arrisco mais de 1 colher), etc. etc., seja feliz. Frigideira untada, espalha esse trem pra não ficar muito espesso senão encrua o meio (= só não usa aquela microfrigideira de fritar um ovo), fogo beeeem baixo, tem que virar, uns 5 minutos no total, no máximo. (Mas eu posso estar errada, antes de tomar café o espaço-tempo tem pra mim uma curvatura muito extravagante.) Enfim, moleza.

Essas medidas resultam num pãozão que dá pra duas pessoas (CNTP). Dá pra cortar tudo pela metade menos, óbvio, o ovo, mas aí fica com um gosto ovoso que não me agrada.

P.s.: Pessoa leitora, se você realizou o ikra e não me conhece pessoalmente, me manda uma mensagem, vamos conversar, quem sabe não começa uma bela amizade?

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After the post on ikra, I think something quick n’easy is in order.

Skillet bread is a classic, but only recently I started to grasp its qualities:

  1. It’s practical. No commercial bread available today/now? The bread you like is a now too long walk/drive away? Your money’s playing hide n’ seek? your face now might cause unrest to your already battered fellow citizens? You may wanna go for skillet bread, unless you don’t even have an egg in the fridge;
  2. It’s fun to try variations. This recipe is difficult to mess up, so throw all that weird stuff in to your heart’s content.
  3. It’s nutritional value is much better than that of industrialized bread. (In Brazil, everyone loves bread rolls with zero vits, fiber or really anything beyond carb calories and sodium.)

To the recipe: one egg, two tablespoons yogurt, milk, vegetable milk or, ok, water, 4 spoons (fine) oatmeal/oat flour (if you don’t have, just double the flour), 4 spoons any flour, pinch of salt, coffee spoon baking powder, and all the extras you’ve been meaning to throw into bread (here I usually go for seeds, raisins, nuts). Put that unto a greased skillet, low fire, flip, 5 minutes total, tops (but I might be wrong, out of lack of coffee morning disorientation). A child could do it.

Those quantities make a large bread, enough for two (SATP). If you want to halve it, the only catch is that the egg (which you’ll have to keep), stands out (not for me, but).

P.s.: dear reader, if you made the ikra, let’s start a conversation. We might have meaningful affinities.

Ikra, caviar de berinjela – Eggplant caviar

Lembra daquelas berinjelas que eu assei junto com os tomates? Eram pra isso, ikra, uma pasta de berinjela com cebola incrivelmente demorada de fazer, mas que eu adoro e que portanto pra mim vale totalmente a pena. Aprendi a fazê-la com a filha de um imigrante russo, amiga de um ex-namorado.

Só vi-vi dois russos na vida, um era um camarada gigantesco que foi fazer uma pausa do ski ao meu lado, num dia de sol gelado em Andorra. O cara tirou a camisa – ele tinha um monte de pelos loiros nas desmedidas costas redondas e lembrava muito, mas muito mesmo, um urso de desenho animado  – e pediu uma cerveja! (Desnecessário dizer que eu estava tão encapotada que mal conseguia me mexer, que dirá esquiar.)

O outro, pai da cozinheira, era um senhor extremamente branco e alto, que lembrava um mago não-holywoodiano de filme. Ele nos recebeu na porta da casa e logo conduziu pelo jardim até uma flor enorme, que ele segurou com um prazer igualmente imenso na mão e que eu demorei a reconhecer: uma rosa negra. É o príncipe negro, ele disse, com um sorriso. E foi cuidar da vida, enquanto nós nos aboletamos na cozinha a tarde toda, batendo papo enquanto a filha dele fazia o ikra. Lembro de ter pensado ‘que insanidade gastar tanto tempo pra fazer um patê’. Que me pôs de joelhos no instante em que eu pus o primeiro pedaço de pão coberto com ele na boca.

Bem, mas como funciona. Um mar de cebolas – eu uso mais ou menos uma cebola para cada berinjela, mas depende do tamanho de uma e outra – finissimamente picadas deve ser refogado numa quantidade generosa de oleo. Pode-se por pimenta do reino moída e alho (o alho só no final da parte das cebolas). Ou não. As cebolas vão fritar, fritar, começar a ficar castanhas e então acrescenta-se a polpa das berinjelas assadas, também muito batida com a faca. Na internet já vi porem tomates e pimentões assados, mas nunca fiz assim. Sal e mexer. Vai mexendo, pensa na vida, canta aí e vai mexendo. Apesar do oleo, a polpa de berinjela gruda no fundo da panela. Então é mexer. Quando eu canso ou acho que vai queimar, desligo o fogo. Em poucos minutos o que estava grudado se solta e dá pra acender de novo. A massa é à princípio meio bege, depois vai escurecendo e encolhendo. Pode-se continuar com isso até ela ficar marrom muito escuro. O sabor é intensíssimo, de cebola caramelada e algo quase proteico.

De vez em quando me assalta uma vontade louca de comer isso. Como não se trata de um apetite obviamente equivocado, como o de sorvete na TPM, eu tento satisfazê-lo. Esses apetites me intrigam, mas isso é outro assunto.

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Those eggplants I grilled along with the tomatoes? They were for the ikra, an onion-eggplant spread that takes insanely long to make but is worth every minute, at least in my humble opinion. I learned how to make it watching the daughter of a Russian immigrant, friends with an ex-boyfriend.

First I must say that I only really saw two Russians in my life. One was a huge fellow who took a break from skiing just beside me on a sunny frozen day in Andorra. The guy took off his shirt – and he had a lot of blond hair on his round immense back, vividly recalling a bear from a cartoon – and ordered a beer! (Needless to say, I was so wrapped I could barely move, much less ski.)

The other one, the father of the cook, was an extremely tall and white guy who made me think of a non-Holywood sorcerer. He came to see us at the door and took us through the garden to see a very big flower, which he held in his hand with an equally great pleasure, and which I struggled to finally recognize as a black rose. ‘This is the black prince’, he said with a smile. And left to his business, while we followed his daughter to the kitchen, to chat for the rest of the afternoon while she made the ikra. I remember thinking, what a waste of time on a spread. But I was a believer the moment I put the first piece of bread covered with it in my mouth.

Erm, m’am?

Braise a lot – 1 (onion) to 1 (grilled eggplant) – of onions, chopped as finely as you can in a lot of oil. Black pepper and garlic are optional (if you choose to put garlic, do so only at the end of the onion-only part). The onion will turn light brown (takes time), and then add the eggplants, peeled and very finely chopped. The internet shows people adding bell peppers and tomatoes too, but I’ve never tried. Ok, then stir. Keep stirring. Grab a beer or something, and keep stirring. If the eggplant sticks to the bottom and you feel tired of stirring or think it will burn, put off the fire and wait. It comes off when it cools down a bit. Then back to stirring. The eggplant pulp will start beige and get darker and darker while it shrinks. You can go as far as deep dark brown, and then the taste is really intense, with caramelized onions and something protein-like.

Every now and then I crave ikra. As it’s not some obvious biotrap, like ice-cream in PMS, I go for it as often as I have the time to put in. Those appetites are intriguing, but that’s for some other day.

Móbile montessori de octaedros – Octahedrons Montessori mobile

A pedido de uma moça que está grávida de gêmeas (!!) fui aprender o próximo móbile da série montessoriana. A maioria das imagens que achei foi desse tipo aqui, mas achei também um outro, em que os octaedros têm tamanhos diferentes e uma montagem em dois suportes que permite que girem independentemente. Então, com sorte, os testes continuarão.

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At the request of a brave woman pregnant with twin girls, I’m learning how to make the next mobile of the Montessori series. Most images I found were of this type, but then another came up, in which the octahedrons have different sizes and are attached to two dowels, so they can spin independently. So if things here help tests will go on

Arvrinhas de Natal – Lil’ X’s trees

Pensa um projeto simples. O único cuidado é fazer um corte que não fique nem muito raso, nem muito fundo. Às vezes é preciso cortar uma rodela da base da rolha para aplainá-la e pode ser uma boa ideia colar um disquinho de um material mais pesado para estabilizar a árvore (o que eu não fiz, então os ventos mais fortes fazem essas altas tombarem). As rolhas podem ser substituídas por muitas outras sucatinhas, um rolo de papel higiênico cortado ao meio, um copinho de leite fermentado etc., etc…

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This is so simple it doesn’t demand instructions! The only catch is that the cut in the cork should not be too shallow nor too deep. Sometimes it’s good to cut a slice from the base to make it really flat, and to glue something heavier to stabilize it (I didn’t do it, so stronger winds make the tall ones tumble). Instead of corks you can use so many other scraps… toilet rolls, etc. etc…

Farofa de couve

A farofa, filha da mandioca, transforma o arroz e feijão em algo bom de comer por si só. Na verdade, a gente pode pôr tanta coisa diferente, com resultados tão diferentes, que faz mais sentido pensar que farofa é um tipo de comida.

Essa aqui: oleo, cebola e/ou alho picados, couve picada. Mexe, mexe, é rapidinho, só o tempo da verdura murchar. Farinha de mandioca crua e sal. Mexe, mexe, até a farinha ficar um pouquinho dourada. Nesta pus ainda umas castanhas de caju picadas. E viva!

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The Brazilian farofa, made of cassava flour, transforms rice and beans in something worth eating by itself (in Brazil we think of rice and beans as the basis of a meal, it always takes some protein to be complete). In fact, you can add so many different things in your farofa, with such different results, that it makes more sense to think of it as a type of food.

For this one: some oil, onions and/or garlic (chopped), couve (a dark green leafy the Portuguese brought to Brazil, not bitter, rich in iron). Quickly saute those. Add cassava flour and salt. Stir till the flour gets slightly darker. This one took some chopped cashew nuts. Enjoy!