Et… c’est parti! There we go again.

IMG_20170518_091710

Voltamos pra pista, agora na França.

Faz quatro meses, e todos nós ultrapassamos uma barreira que eu não consigo nomear, mas que fica entre “uau/ai, tudo isso é tão bacana/esquisito” e “tá, agora é isso”. A palavra que melhor define a experiência é ambiguidade. A gente sempre pensou em viver fora, pelo menos um tempo, mesmo porque viemos, os dois, de famílias imigrantes. Mas estar aqui não é a realização de uma fantasia, tipo, “ah, agora a gente vai passar um tempo fora e viver novas experiências culturais”, mas de uma necessidade crua, tipo “a economia tá uma m**** e a política um pesadelo apocalíptico”. A educação do Theo também pesou muito porque, como a gente não tinha dinheiro pra pagar a escola privada, ele estava frequentando a pública, e o que eu via lá era deprimente, pra dizer o mínimo. (Não lembro onde nem quando, mas li que o acesso à educação é uma das principais motivações dos imigrantes.)

Também li que as preocupações dos pais quanto à adaptação são exageradas. Mas não acho que seja bem assim. Óbvio que minhas preocupações são bem fundadas! Não, brincadeira, mas há questões sim, só que elas não são a língua ou a comida. O Theo passou do choque e da exploração iniciais pra um cansaço, agora quero ir pra casa, e finalmente pra ok, vou ver vovó, vovô, titia quando formos de férias pro Brasil. E tudo bem, isso custou algum esforço mas de todo jeito essas visitas eram raras (os parentes dele moravam longe e nós só os víamos de 3 em 3 meses). Em três meses de escola ele passou de não entender nada a entender quase tudo e falar o básico. Coisa que nos espanta, mas é totalmente normal pra crianças em imersão.

Mas as questões reais estão noutra parte. Depois de uma série de pirraças monstro, como ele fazia há dois ou mais anos atrás, ele me disse um dia de manhã, logo antes de entrar na escola, “mamãe, sinto falta dos meus amigos que falam português, eu não consigo contar nenhuma história pros meus amigos daqui”. Não fomos só nós que perdemos nossa vida social. Ele também tinha uma vida social, que, eu admito, eu tendi a subestimar. A gente vê as crianças correndo muito, mas não falando tanto com os amigos, e tende achar que se um filho achou outras crianças pra brincar de pega-pega tá tudo bem, tudo na mesma, mas não é assim. Pra eles também, o fato de que se fazem novos laços não significa que pessoas, línguas e lugares sejam intercambiáveis. Cara, é duro aprender a mesma coisa mil vezes.

Ok, inspira, expira…

____________________________________________________________________________________________

We’re back on tracks in France.

It’s been four months now, and we’re all passed some threshold I can’t really name, but it’s one between “wow/yikes this is all so new/weird” to “ok, that’s the new normal”. The word that best defines our experience is, not surprisingly, ambiguity. My husband and I always thought about living abroad, at least for a period, especially since we both come from immigrant families. But coming here was not a daydream come true, as in “oh now let’s spend sometime abroad and have nice cultural experiences”, but the result of dire need, as in “our country’s economy is killing us, and politics are a total nightmare”. Theo’s education also weighed a lot in the decision, because as we couldn’t afford a private school, he was going to the public one, and what I saw there was really depressing, to say the very least. (I read – don’t remember where – that providing children with a good education is a primordial motivation for many immigrants.)

I also read more than once that parents’ concerns about their children adaptation tend to be exaggerated, but I don’t think that’s quite right – oh, of course I have good reasons to be concerned! No, but seriously, it’s really not the language thing, or the food, but there are some issues not to be overlooked. Theo has gone from the initial curiosity and will to explore, to I just want to go home, to ok, so when we go to Brazil on vacations I’ll see grandma/pa. In three months of school from zero French to understanding a lot and speaking the essentials. Which is just amazing, although perfectly normal for kids.

But the real concerns lie somewhere else. Last week, after a row of tantrums like those he used to have much earlier, like two years ago, he finally got to say “mum, I miss my friends who spoke Portuguese, I can’t tell my friends here any stories”. It’s not just us who lost our social life. He had a social life too, and although I knew it, I didn’t realise how deep it went for him. I mean, you see kids running after each other, you don’t see them talking much, so I admit I kind of tend to think that if my child found new friends to chase in the playground all’s the same. He just reminded me it’s not. The fact that we can establish new attachments doesn’t make people, languages or places interchangeable. Doesn’t it feel weird to learn the same thing over and over again?

Ok, breathe in, breathe out.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s